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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Anda chovendo em seu Juazeiro ...


Então só restaram as facas. É com pesar que concretizo este pensamento em meu juízo imperfeito. Faço deste texto a lamúria de um sujeito que não pode aparecer, porque cresceu. Guardo comigo o desespero de uma criança com o dissolver da família. A tão importante família. Papo furado. Do que adianta fazer das tripas coração para se ter fezes nas mãos? Para quê tanto se esforçar, se esvair, se consumir, se nada nunca é suficiente. Então este é o legado. O retrato de um sujeito alicerçado, bem quisto, estudado e invejado. O retrato que guarda uma alma sombria, desprovida de qualquer demonstração de afeto, mas é apenas um retrato. Você que o vê de fora percebe apenas o sorriso. Tenho pena da pequena morena, tão singela, mas tão plena que de tanto tempo ali tornou-se minguante. Se escondeu num arcabouço bojudo, um ser desnudo de qualquer maior interesse. Agora, como prole indeferida, levanto a minha até então minguante voz e chamo a vossa pequenez à luta. Levanta-se junto comigo, estava escrito, aqui em mim, serei naturalmente seu ombro amigo, não tenha medo de dizer não. Ainda te digo mais, minha velha senhora: digo-lhe que não precisa da sorte, pois no fundo de vidro mora em ti aquela morena forte que um dia foi para si.

domingo, 25 de março de 2012

Desagradável é o senhor Idelfonso

O mundo andou girando muito rápido durante um tempo. Ele se esqueceu de lembrar de levar senhor Idelfonso consigo. Por isso que ele vive em alfa; pergunto-me todos os dias quando passamos a ser tão desinteressantes?! O que foi que fizemos nós para merecer tanto desprezo e essa soberania descabida e sempre correta deste indivíduo tão singular. Do alto do morro aonde vive ele reina os seus dias isentos da verdade alheia, o mundo perfeito onde ele está sempre certo e o que ele pensa é tão óbvio que está logo adiante dos olhos de qualquer um, e qualquer um é no mínimo imbecil por não enxergar. Dentre os seus jargões aquele que começa com "eu tenho a impressão..." impera com o traquejo de um ditador. Sempre assim meio de soslaio finge que nada, simplesmente nada está correto quando não é de seu conhecimento. A sabedoria popular que traz consigo é bagagem pesada, de fato, contudo é preciso acertar que não é unânime, afinal os "cabra da capitá" muito contribuíram para a evolução dos nossos dias. É importante também lembrar que não adianta argumentar de maneira embasada e concisa, por que além de não ouvir, quando resolve ouvir ele é o rei da má interpretação. Começa a deferir golpes com a língua dizendo que não acredita como pessoas letradas são capazes de pensamentos tão patéticos, mesmo não tendo sido se quer citado qualquer destes pensamentos. É duro mas ele é assim. Ele vive em alfa. Será mesmo impossível meu caro senhor Idelfonso que algum dia nos deixe de tratar com tanto desprezo? Seremos tão pequenos assim? Merecedores de tamanha indiferença? Perto dele sentir-me um asno é uma façanha rara, pois um asno é um ser dotado de sistema nervoso. Algo inferior a um ser unicelular seria mais propriamente colocado à minha pessoa. As vezes coloca em sua cabeça a idéia fixa de certas modernidades irão acabar com tudo e com todos e fecha a sua consciência para os arredores: é Pá-Pum - aquilo não presta e ponto final. Após isso ele sai por aí encaixando fervorosas opiniões sobre o assunto em momentos descabidos. Nós moramos no univeso da superficialidade. A nossa vida é nada mais nada menos do que o cúmulo do Supérfluo. Desculpe senhor Idelfonso, eu....digo, nós até tentamos, mas nada absolutamente nada é magnânimo quando se é obrigado à conviver com sua desagradável presença.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um milhão de pensamentos por segundo.

Explode a bolha da discórdia. Os erros e insistência se misturam em meio as idéias que se acumulam no juízo. Juízo esse que vive atordoado pela cólera e o ímpeto de querer perpetuar mudanças. Difícil entender as próprias mazelas, contudo fácil, bem fácil de apontar-lhe o indicador teso e condenativo. Sentir-se um indivíduo vazio para muitos seria um corriqueiro melodrama daqueles que se auto-intitulam portadores de alma de artista; garante-se com a análise e observação dos arredores, no entanto, que poucos são aqueles que se preocupam com o monstro que vive dentro de si. Quantas pessoas sabem realmente qual a sua essência? Quantos chegam aos 30, 40, 50 e se vêm naquela tão explorada crise de identidade amplamente abordada nos diversos veículos difusores de cultura como o cinema, as artes plásticas, a música e tantos outros. A abstrata atitude de anestesiar-se na vida adulta, destruir arestas de sinceridade, opiniões fervorosas, gênios indomáveis, o ímpeto de diferenciar-se alastra-se como uma doença pelos arredores. Chegar aos 50 e pensar: "poxa eu era um bom tocador de violão" ou quem sabe "como eu jogava bola naquela época" é corriqueiro. Tais frases são ouvidas nas mesas admnistrativas ou hospitalares, nos fóruns e burocráticos escritórios. Colegas que transcendem este pensamento são vistos como indivíduos "desocupados" ou "que pararam no tempo". Nossa sociedade está perdida se essa onda dos anestesiados invadir os setores que mais necessitam de cabeças atordoadas, cabeças que pensam exageradamente sobre tudo o tempo todo. O setor de invenções. Qualquer que seja a natureza da criação. Por último e ainda mais importante, uma fatia da sociedade que não sei se posso denominá-la de setor: as lideranças. O mundo condena aqueles que destoam da conformista e "mesmística" visão, mas é fato que quando estes ascendem, o mundo fica pequeno para as suas aspirações e conquistas. É até engraçado observar a dinâmica da ascenção destas figuras ao poder, pois aquilo que era estranho se torna corriqueiro, aquilo que era abominável se torna de todos e passa a ser "cool", passa a ser interessante. Eles passam de estranhos e excluídos para indivíduos que angariam seguidores. Então o que se segue é a aceitação ampla daqueles que sempre discordaram única e exclusivamente por alienação e massificação da qual é, e sempre será refém, enquanto não se enxergar.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estou indo embora...

Eu peço desculpas a você meu caro amigo, que se tornou um refém desse meu mundo perfeito. Sou muito grato por tudo, deixo de lado todo o absurdo do qual um dia fui prefeito. Eu digo a você, ao menos, que nunca fui infiel, apesar de nunca visar o céu nesse mundo tão bandido que tanto eu quanto você escolheu para fazer girar a máquina da vida. Pois é, logo ela a vida protagonista minha e sua deste maquinário cheio de engrenagens e tic e tacs de incerteza. Eu peço perdão pela minha falça realeza e principalmente pela minha tão frequente incerteza e o medo de seguir. Você, que em nome não é citado aqui, mas que de fato muito foi o motivo de tanta dedicação, é agora um motivo de outrora, um nome perdido no limbo, um louco que fuma um cachimbo, longe daquela minha perfeição. Eu que nunca fui capaz de me enxergar, que sempre fui de julgar e que sempre te apontei o dedo; dou as costas hoje com a cabeça vazia, repleto de uma grande nuvem fria de choro e solidão.Hoje eu nem identifico tamanha tristeza, sou refém da minha própria cabeça, do meu juízo fraco e impreciso. Setnri-me filho da sabedoria nada mais é que uma arrogância vazia para me sentir ali na frente de todos. Eu te digo agora meu amigo, que de tudo que tiramos dessa história me traz a pensar na escória que construiu a mais bela arte desse país. Vou embora agora na lamúria, torcendo pela luxúria de tantos dias intranquilos novamente.    

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O senhor Brasil

"Gigante pela própria natureza". É sim, assim, o senhor Brasil. Pai de toda a sabedoria, irmão de grande coração. Quem o conhece sabe até onde vai a sua bondade e a sua condição humana. Detém num corpo de 20 e poucos anos a sabedoria emocional de um ser que viveu muitas Eras. Sábio como poucos. Merecedor de toda compaixão e complacência. Não me lembro de ter conhecido muitas pessoas assim por aí; assino embaixo de toda e qualquer conduta que tomou ou venha a tomar, mesmo que tenha errado ou venha a errar. Levo comigo a certeza que nunca agiu, age ou agirá para o mau, isso nunca. O senhor Brasil é como qualquer um, nasceu aqui na provinciana Salvador-BA. É filho da classe média, reduto da mediocridade e da média, do que é mediano, suficiente e quase sempre pouco; mesmo assim ele é grande, se destacou desse submundo e soube voar.Asas abertas e plenas, um vôo tão alto que hoje apenas poucos conseguem enxergá-lo.  Devo a ele a minha paz nos meus anos de secundarista, ali naqueles bancos de cor creme no bairro que carrega o azul em seu nome, foi prelúdio do que hoje ele é. Grande conhedor da psiqué. Grande ouvinte. Grande conselheiro. Grande aprendiz. Iluminado. Seu nome significa pedra, ao meu ver porque tem os pés no chão. É sim um grande amigo, como poucos. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Chegada e Partida


1, 2, 3, 4, era a contagem do fim que ali se ouvia. Pela porta rondava a morte, cadela sarnenta, criatura faminta, os beiços já se aguavam de prazer como a lambuzar-se com uma apetitosa refeição. Um último suspiro, e o ruído unissonante, o desespero que em único segundo se torna alívio, e tudo seca, o peito já não vibra, a escuridão consome...a luz se esvai. Todos se calaram naquele momento. Olhares se entreolham e a mudez momentânea invade o salão naquele momento. Não fora a primeira vez. Nem mesmo a segunda. O fato é que ali os olhos já estavam acostumados com toda a melancolia. Naquele mesmo recinto, ao máximo volume ouviam-se gritos, dolorosos gritos, desesperados gritos; mudos. O pescoço rígido, jugulares tesas, era o esforço vão daquele ser só. Era a garganta suspirando um grito, eram as entranhas que empurravam o ar que não conseguia sair, não se ouvia a voz da pobre mulher. Desesperado grito que se percebia mudo pela força que se esvaia. Tudo se movia naquela sala. Pernas e braços agitados se moviam sempre brancos ao encontro de tudo e todos que ali estavam. Mãos de borracha, também brancas, que puxavam e apertavam e tremiam rapidamente se reuniam em prol de um único ser. Fosse pela vinda, fosse pela ida, estavam sempre ali, atentas, a espreita da ação imediata, do cumprimento do dever. Naquele mesmo lugar, onde a morte cravava os seus dizeres em mais um Epitáfio, rondava também a vida. O despertar.  

sábado, 29 de outubro de 2011

?

É estranho finalmente esperar para sentir o vento entre os dedos nos domingos agora tão vazios. As horas matinais que eram empenhadas em prol da arte se acumula no descanso do corpo e da mente. É automático o reverso da vida? Retrocesso o manifesto da minha partida? É fato que me doeu mais abandonar a gravata. Não por haver mais grandeza aqui ou ali, mas por saber que ainda falta uma longa jornada pela frente com o que chamo de minha obra. Sensação estranha no ar. Muito estranha.