Acho interessante essa maneira que eu vejo o desespero brotar. Não, definitivamente o desesperado não sou eu. Ao menos, agora, não mais. As atitudes se misturam em meio a uma idéia meio anarquista, meio egoísta e burra de agir. São sorrisos débeis, abraços nada francos e uma necessidade gigantesca de provar para si que o melhor foi feito e ponto final. Aos olhos, um marejar já não tanto melancólico, mas no jeito de ser e de andar sempre aquele ar meio heróico de lidar. Por essas e outras que sei o por que do meu desistir. Desejo fluir. É nessa onda que surfo no mar do desapego. Olho para a minha obra e me entristeço ao perceber que ela anda beirando a expressão " Por um Fio ". O ritmo dos tambores é mais acelerado no meu peito. Se os chineses estiverem certos, sou eu mais um condenado a viver menos, pois definitivamente já queimei boa parte das respirações contadas com as quais nasci predestinado a ter. E foi por isso que viram em mim defeito; nada além de ser um sujeito acelerado. É triste eu ver que a minha angústia é muitas vezes tranquilidade para certos companheiros. Mais triste ainda é ter que me convencer que somente a mim foi concedido o dom de alargar as horas. Pouco me importa a maneira alheia de enxergar ------ quando penso na minha agonia, e no meu anseio pela obra categórica, estruturada, próxima à perfeição, vejo que sou eu definitivamente a onipresença, a onipotência, e o retrato falado do bloco do eu sozinho.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Filho do Fogo
Sinto em dizer que nada a fazer é motivo pra pensar
Sinto em me ver como uma engrenagem de relógio caro, sempre a funcionar
É com uma dor no peito que te conto sem jeito que sai mais caro pra ti, ao invés de me denegrir, me elogiar
Sou eu assim um ser difícil que morre pelo seu vício, o de querer sempre reinar
Em pouco tempo te conto e te mostro muito do que forma o meu mundo
Ao mesmo tempo percebo o quanto falta de lá do fundo
É com muita dor e agonia que eu ouço as suas críticas lacivas
Mas a felicidade que fico é ANOS LUZ mais perigosa quando ouço um elogio
Sinto em me ver como uma engrenagem de relógio caro, sempre a funcionar
É com uma dor no peito que te conto sem jeito que sai mais caro pra ti, ao invés de me denegrir, me elogiar
Sou eu assim um ser difícil que morre pelo seu vício, o de querer sempre reinar
Em pouco tempo te conto e te mostro muito do que forma o meu mundo
Ao mesmo tempo percebo o quanto falta de lá do fundo
É com muita dor e agonia que eu ouço as suas críticas lacivas
Mas a felicidade que fico é ANOS LUZ mais perigosa quando ouço um elogio
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
7 dias
Saudações à nação musicista. Disserto eu, aqui, sobre a inexorável estadia de música deletéria que diz-se ser a verdadeira obra prima tupiniquim. Não crucificarei as grandes figuras que protagonizam a banalização do veículo musical; ao menos em parte. Venho aqui prestar indignação contra as mentes dançantes impregnadas por esse Belmarquismo sem “pé nem cabeça”; elas estão levando a grande ilha de Vera à irreversível falência sonora. A infestação das ruas nos dias que antecedem a quaresma dar-se pelo profano, juntam-se todos e louvam tamanha grandiosidade sem pudores nem horrores, todos têm direito a tudo, varia de um delicioso murro na cara ao mais tenebroso beijo; será mesmo a musicalidade que gera esse tropismo? Pés, mãos, braços e pernas, bocas, todos juntos em seu brilhantismo perfeito fazendo nascer daqueles gigantescos carros alegóricos a marcha que inicia a espalhafatosa caminhada, incessante, exagerada, desejada, esperada. Eles preferiam não estar ali, mas a cólera que chega e invade cada criatura que pula incansavelmente os mantém onde estão. Porque fazer do ouro latão e do latão ouro? Até mesmo os próprios criadores desse sistema único de agregação de massa e disseminação de volátil felicidade duvidam de sua própria qualidade. Duvidam não, têm certeza da “não-qualidade” de seu produto – apostam todas as suas fichas num sistema vicioso de idiotização daquele seu público tão vasto, medíocre. É criada então uma corja de completos irracionais, filhos de ninguém, sem dono, irreverentes, alucinados, alcoólicos, desapegados, violentos, desgarrados, ouvintes da “boa” música. Destrói-se aos poucos o poder cultural de uma nação tão promissora, terra de cantos, encantos e bossa nova, terra de Chicos, Caetanos e Luiz, terra de Vinícius e de Jobins. Tudo isso em sete dias. E no sétimo dia dar-se início a um novo ciclo, um vício. Como câncer, alastra seu teor maligno e condenador pelas adjacências. Fadado está o enfermo. Como câncer, ainda não tem cura.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Venenosa
Refém de uma intimidade pouco íntima
Da sua vontade um tanto fingida
Desse seu jeito de se encostar
Olho pra você de uma forma meio vazia
Sinto sua atitude fria se tornar de um calor primoroso
Não sei se o bem me quer ou se o mal tem feito o seu papel
Não sei o que é julgar, pois fui fisgado pelo teu mel
Pouco sei realmente da vida
E o que verdadeiramente acontece ninguém sabe
Vejo o bico que você faz com a boca
Com jeito de menina dengosa
Mas sinto na sua prosa um gosto um tanto ruim
Muito pior são os rumores, sempre tão cheios de “amores”, que colocam em você por aí
O dengo se torna uma droga e o gosto passa a fazer sentido
A garota dengosa destila em sua prosa seu doce veneno
É estranho sentir o corpo encostar
Beber um pouco do suor que escorre pescoço abaixo
E logo após trocar um olhar e sentir coisas que não sei onde acho
Perdido no deserto da minha consciência vazia
Por fim passo então a delirar, tentando arquitetar como seria o futuro
Mesmo após tantos avisos, o peito como um desavisado, dispara contra a corrente
A falta passa a ser rotineira, o cheiro se entranha em todos os lugares
Sou eu um viciado no seu doce veneno
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Reperfusão!
Pálido e gelado...quase morto, um pedaço inanimado de carne, sem cor e sem função. Lá estava ele saindo daquele prédio que a população chama de açougue. Saiu de lá às 01:00 h daquela manhã de quarta-feira de setembro, igual a todas as outras. Enquanto isso havia uma movimentação em direção a outra edificação "açougueira", porém no outro lado da cidade e devo dizer que esta era mais organizada. Cheguei lá bem antes do pedaço de carne; mais precisamente cheguei às 00:00 h no limiar entre a terça e a quarta, troquei as minhas vestes e me dirigi a um salão denominado Conforto - era sim um local confortável, deveras. Fiquei ali sentado por longas 2 ou 3 horas, esperando o que aconteceria ali...logo uma colega se juntou a mim naquela ânsia e percebi que não estava sozinho. Às 4 h estávamos todos na sala onde tudo ocorreria. Éramos 10 ao todo. Cheguei a rir comigo mesmo ao pensar que um de nós chamava-se Cansado, e delirei por um momento como se fôssemos a branca de neve e os sete anões; era impossível pois haviam duas mulheres e éramos 10. Claro que sei que não havia um Cansado entre os sete anões, porém o devaneio veio bem a calhar naquela hora da madrugada. Começamos a desenvolver o que fomos proceder ali. Lâminas, fios, líquidos, aparelhagem, tudo no seu devido lugar. Duas luvas em cada mão. Roupa impermeável. Óculos. Máscara.Tudo ali havia de ser meticuloso devido ao risco para os 10 quanto para aquele ser que jazia enfermo no centro da sala. Cortava-se, drenava-se, aspirava-se, solicitava-se, e tudo acontecia ao mesmo tempo por ali; e de repente chegamos lá onde queríamos. Consegui enxergar e notar que os livros conseguiam ser bastante fidedignos nos desenhos esquemáticos - o pedaço de carne que eu observava era meio roxo, meio escurecido, meio disforme, meio pequeno, a palavra certa seria fibroso. Rígido como não deveria ser. Aparentemente mais morto do que aquele que jazia à mesa ao lado, em uma cumbuca de metal cheia de um líquido gelado. Ah, esqueci de falar disso. Voltamos então ao primeiro pedaço de carne que chegara ali às 1h da matina. Chegou com tanta pompa que todos pararam para observar apenas o invólucro que lhe guardava; era ele sim muito importante. A esperança de uma vida, ao menos alguns anos a mais. Estatisticamente cerca de 5 anos, quando pensamos em 80% dos casos. Em seu momento o décimo integrante da equipe, o qual ainda não tinha citado, surgiu e levou a embalagem com o pedaço de carne, pálido e gelado. Levou consigo minha fiel companheira que me guiou durante os primeiros minutos de procedimento. Fariam eles um tal de Back Table. Sabe-se lá o que era aquilo. Sei que 1 h depois surgiu o conteúdo do invólucro nesta cumbuca de metal acima citada. Envolvido em um plástico e embebido em um líquido de nome de Granfino. Pronto, estávamos à espera na marca do pênalti. O batedor fora convocado. Ele chegou algum tempo depois. O 11º jogado. Com primor chegou retirou o que ali era velho e trouxe o novo. Retirou o novo do seu recipiente e rapidamente introduziu na cavidade. Era um tal de líquido gelado o tempo inteiro - cansei de tanto me virar. As costas sonhavam com um momento de trégua. ele demorou a chegar, contudo. Mas valeu a pena. Ligou os tubos que havia de ligar e foi embora o magnífico jogador. Fez a sua parte e foi embora. Ali naquele momento percebi a mágica da vida. Aquele pedaço pálido e gelado inundou-se de um vermelho intenso em questão de minutos. Sucesso fora a Reperfusão. O que se seguiu não importa. A vida inundou aquele ser de maneira que jamais havia visto. Renasceu um morto vivo. Que lindo.
sábado, 4 de setembro de 2010
Desamparo
Pesa a mão da consciência nas horas vazias
Horas que não apagam jamais o mal-feito feito
Um telefonema muda o dia...rasga, torce e mete medo
Receio de pensar num futuro ainda mais incerto, e tão perto
Troca-se então os novos pelos velhos, que agora parecem ser interessantes novamente
Ao menos para quem não tem nada nas mãos. Só a sujeira
Em meio a isso tudo, percebe-se a falha naquela irmandade
Já não tinha mais idade para tudo aquilo
Nem ao menos sei se realmente pertenci por um único segundo a esse mundo
Me perco agora num enorme vazio, sem topo e sem fundo
A culpa martiriza ainda mais os meus dias...as risadas vão ficando cada vez mais sem graça
O medo de pensar que daqui para frente dificilmente vai ser diferente.
Perdi.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Pão de cada dia!
Salve salve ao pão de cada dia
Essas emoções que já não nos cabem mais
Interrompe-se um ciclo para iniciar outro
Sempre, sempre acreditando num futuro tão pleno, sereno
Espelhando-se naquele que nem sempre é tão correto...incerto
Na certeza de uma amor por aquela menina....franzina, e sempre de branco
Aqueles olhos de mar...quase sempre a marejar quando se fala dela...magrela
Pelo sim pelo não, guarde contigo a sua imperfeição e pense sempre nas cifras tão ricas
Tão mínguas? Tão pequenas quando são plenas a sua e a minha intenção
Não pense num futuro de abandono...segue a sua história meio sem dono
Sem dono, o dono da extradição. Obrigado Pão.
Obrigado Pão.
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